Feliz dia dos namorados para quem? Coração Guia / Destaque / Recomendados / Sentindo agora
Viver é uma aventura solitária que requer paciência, bondade, reflexão e humildade. É possível relacionar-se com o outro antes de entender esses três substantivos abstratos? Claro! Mas é preciso que pelo menos um deles seja praticado com afinco sincero e autoconsciente para que possamos ser verdadeiros aprendizes de nós mesmos.
 
Com paciência e reflexão, torna-se mais macio administrar nossos egos inflamados pela carência (falo dela porque, no meu caso, é meu pior inimigo), pelo automatismo e pelo medo: teme-se que o outro o engane, que o outro o machuque e – o pior de todos os medos – que ele o faça “perder tempo”. Mas por que aceitamos tão facilmente perder tempo com esse tipo de pensamento? Ora, porque nem refletimos, nem somos pacientes: tudo cabe ao outro, sempre.
 
Já com bondade e humildade – genuínas, puras, cristalinas, daquelas que brotam do coração incondicionalmente e que, muitas vezes, vazam pelas janelas d’alma -, a fonte do amor fica mais doce, o caminho mais florido e até as pedras; desde as pequeninas que se acumulam pelas articulações, até as maiores, que impedem a visão do horizonte limpo e claro; transformam-se em uma nova aventura de descobertas de si mesmo.
 
Viver é uma aventura solitária que requer paciência, bondade, reflexão e humildade, mas que permite companheiros. Só que para namorar o mundo, é preciso olhar nos olhos do universo: e para você olhar nos olhos do universo, basta olhar-se no espelho.
 
Quando esse namoro fluir – sem mágoa, sem culpa, sem medo e SEM REGRAS -, o amor perde definição, nome e forma para tornar-se apenas amor. Aí, então, as borboletas que passeiam no seu jardim (sempre passearam, você não reparou?) – como bem já disse um ditado de que muito gosto – deixam de provocar coceira e passam a provocar cócegas. O riso flui, a pressa acaba, o passado se desmancha e o futuro volta a ser o nada que sempre foi.
 
Basta olhar-se no espelho.
 
Feliz dia dos namorados para quem se namora. 

Redatora, professora e inventadora, tenho como verdadeira paixão a língua portuguesa e as piruetas que ela dá na ponta de cada lambida. A casualidade é minha amiga; a poesia, anfitriã. Entre - sem hora pra sair.

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