Humildade, disciplina e desapego na prática de Yoga. Destaque / Recortes íntimos / Reflexão / Yoga

Yoga não exige flexibilidade, força ou coragem. Pede, no entanto, humildade, disciplina e desapego. Gradualmente, na proporção da nossa entrega pessoal, vai-se entendendo cada parte do corpo físico e espiritual como um só. Vai-se aceitando o outro – praticante ou não, experiente ou inexperiente, mais ou menos errante – como nosso espelho. Colocar o Yoga em palavras é simples, um sopro; o desafio mora na sua verdadeira prática – não aquela que se mostra bonita aos olhos alheios, mas sim aquela que nos permite agir de acordo com a nossa verdade única. Existe Yoga da boca pra fora? Não, mas existem bocas famintas de atenção. Por isso, o silêncio se faz tão paternalmente caridoso toda vez que o ego exige seu lugar de fala. E quando o ego cala, o que transborda?

Humildade. Dela, depreendemos a coragem para abrir mão de esteriótipos padronizados e da perfeição física, abrindo espaço para expor ao mundo nossas colunas côncavas, cifoses, lordoses e escolioses; braços tortos; joelhos preguiçosos; desequilíbrios da alma; feridas profundas; mediocridades e hipocrisias diárias.

Também brota, do silêncio egoico, o tímido desapego. Com ele, conquistamos, pouco a pouco, força para abandonar no rio valores inúteis, levando na bagagem apenas o que realmente importa, juntamente com a disciplina por meio da qual a flexibilidade do corpo transmuta-se na flexibilidade do nosso tempo. Prioridades mudam. Crenças pesadas são substituídas por outras mais leves que, sutilmente, dão lugar à verdadeira fé.
Yoga não exige flexibilidade, força, coragem, tão pouco perfeição; mas, a partir do momento em que ele entra nas nossas vidas, joga luz sobre o caminho que leva à fonte de todas essas qualidades em nosso humilde, disciplinado e desapegado ser.

Por isso, divido com você minha escoliose, meus desequilíbrios, minhas falhas, minha imperfeição.

Quem sabe desse espelho reflita um pouco mais de fôlego para que eu possa ser fiel ao meu lugar de fala quando meu ego for mais astuto que o silêncio; minha arrogância for mais forte que a humildade; minhas desculpas forem mais flexíveis que a disciplina; e minha ganância for mais corajosa que o desapego.

Autora desconhecida – que também atende por Lê, Lelê, Frô, Flowers, Lets, eu ou você.


Redatora, professora e inventadora, tenho como verdadeira paixão a língua portuguesa e as piruetas que ela dá na ponta de cada lambida. A casualidade é minha amiga; a poesia, anfitriã. Entre - sem hora pra sair.

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