Ordinários, sim. Normais? Jamais. Coração Guia / Cotidiano / Recortes íntimos

Ordinários, comuns. Somos ordinárias almas cujo perambular vem se trombando ordinariamente. Me jogo no fundo do poço pra você me puxar com a mão direita enquanto a esquerda segura um copo cheio de suco de abacaxi que acabou de tirar do congelador e fatiar. Cê me fatia. Eu te ajunto.

Cê escorrega. Eu me agacho e a gente aproveita pra bater um papo sobre a vida, olhar pro céu, contar formigas. Espio a ordinariedade da rua pela janela do seu quarto enquanto a lágrima cai. Mais uma. De tantas. Das que vieram; das que estão por vir.

Mas nós somos tão comuns…

Eu seguro sua mão. A gente, só, se olha. Cê lava a roupa de cama e se queima no óleo fazendo aquele arroz gostoso. Gostoso, amor. Cê me ajunta. Eu te fatio.

E vida que vai acontecendo. E gente que vai se trombando. Sei lá, amor, gosto desse nosso perambular: bonitinho, ordinário; nada de especial.

Mas a gente aceita, sim, ser ordinário. O que tá vetado, MESMO, é ser normal.


Redatora, professora e inventadora, tenho como verdadeira paixão a língua portuguesa e as piruetas que ela dá na ponta de cada lambida. A casualidade é minha amiga; a poesia, anfitriã. Entre - sem hora pra sair.

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