Saudade Cronicando

Saudade é um bichinho que dói demais. É tipo Chagas, que vai que vai que vai cavucando e inflando nosso coração até a gente não se caber mais de tanta vontade de abraçar. É o nariz que fica mais esperto, procurando o cheiro do outro pelos cantos da cama, no travesseiro, na roupa, nas pelúcias. São todas as fotos sendo visitadas no HD do computador, é o zoom no seu sorriso, é a montagem do nosso abraço.

Saudade é uma segunda-feira mal dormida precedendo um dia sem ponteiros no relógio. Saudade é o tempo passando mais lento (quase parado), o coração saltitando ansiedade, é tentar – e não conseguir – saciar a falta da presença pela voz do outro lado da linha.

Saudade é “socorro, vem me buscar”. Saudade é “por favor, me tira daqui”. Saudade são braços bem abertos, pernas bem trêmulas e olhos bem cheios d’água… Saudade é coração bem vazio, embora inflado.

Saudade, enfim, sou eu aqui e você aí, querendo estar todos no mesmo lugar.


Redatora, professora e inventadora, tenho como verdadeira paixão a língua portuguesa e as piruetas que ela dá na ponta de cada lambida. A casualidade é minha amiga; a poesia, anfitriã. Entre - sem hora pra sair.

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